O que é o tempo senão o relógio universal que os homens criaram a marcar os seus passos da existência no suceder ininterrupto dos instantes que faz as horas?
Deve-se a ele o associar das circunstâncias à tríade da ideia temporal: pretérito, presente e porvir.
Fora o ontem a hora morta, o instante que não torna de regresso, quiçá as cãs níveas de um Chronos decrépito.
O hoje é a atualidade efêmera, o momento que de ora se existe na queda da areia pelo estreito da ampulheta. Neste, o já importa por sê-lo o norte em que se encontram todos os que passamos. Virá, pois, a quadra póstera; o futuro inumar-se-á no sepulcro do passado.
O futuro tem forma abstrata, face embiocada, corpo intangível. Infere-se-o por conjecturas, vaticínios, um depreender indistinto, uma ponta de ilusão. É como uma moeda lançada ao ar e ao acaso na expectativa do que haverá revelado: cara ou coroa?
O futuro é a janela que não se tem descortinada no domicílio do Mistério.

Nenhum comentário:
Postar um comentário